Lilypie First Birthday tickers

quinta-feira, 21 de março de 2013

O grande Dia

Como já contei, as contrações regulares e dolorosas começaram no sábado demanhã. Depois acalmaram-se um bocado com os comprimidos.
A tarde, como contei, demos um passeio antes de regressar para casa.
Em casa, lanchamos uns bons bolos com a minha Mãe e a Victoria. A noite comemos os macarons na sobremesa.

A partida de casa

Tomei mais 2 comprimidos no princípio da noite quando as dores voltaram. As 23h não tinha sono nenhum. Começei a ter contrações cada vez mais próximas.
Por volta da meia noite, pensei que não valia a pena adormecer porque provavelmente em breve teria que me levantar para irmos.
Tinhamos a luz acesa, não queria incomodar a Victoria nem a minha Mãe, que estavam a dormir.
Já perto da 1 hora da manhã, com contrações todos os 5-8 minutos, pensei que mais valia começar a ir, mesmo sem pressa, para não chegar lá muito "cedo". Tinha medo que me mandassem de novo para casa!
A parteira com quem estive disse para voltar só quando as contrações fossem todos os 5 minutos há mais de 1h30 e que o comprimido não fizesse efeito nenhum nas dores das contrações.
O comprimido não estava a fazer efeito sim, so que as contrações eram ainda por vezes separadas de 8 minutos, mesmo se já as aguentava a esse ritmo desde as 23h.

Atravessar Paris

Pedi ao Léo para não irmos directos à maternidade, mas fazermos um desvio, para não chegar cedo demais.
Vijiava o espaço entre as contrações graças ao cronômetro no meu telefone.
Em vez de irmos drectos pela beira do rio, fizemos desvio por outros bairros de Paris. Mas a certa altura, na rua de Varennes (rua celebre, onde o Primeiro Ministro francês tem o seu escritório e os seus apartamentos), começaram a ser mais dolorosas as contrações e já estavam mais próximas (todos os 3,5-5 minutos), então disse ao Léo para seguirmos para o hospital sem perder tempo.
Ao chegar ao hospital ainda estava "bastante" bem. Cada vez que tinha uma contração, tinha que ficar parada no sítio, sentada, em pé, não interessa, até passar a dor.

Entrada na maternidade

As urgências estavam vazias. Vi no livro das entradas, que estava a preencher a enfermeira, que fui a primeira a entrar nas urgências no dia 10 de Março. Foi por volta das 1h30.
O colo do útero estava dilatado a 3. A parteira (outra que a da tarde) disse que devia vir só quando as contrações fossem.......... (não vou repetir! vocês já sabem). Sentia mesmo que ela não estava convencida. E eu respondi que estava isso mesmo a acontecer.
Tornaram a ligar o monitor à minha barriga para controlar o coração da Alexandra e as contrações (quantidade, intensidade...).
Nesse momento, as contrações começaram a ser cada vez mais dolorosas, no fim até chorava. Tinha a impressão de estar lá há uma eternidade, ligada ao monitor. Sobretudo que estava deitada e as dores eram piores assim. Acabei por me sentar para suportar melhor a dor.
Passado algum tempo, nem sei dizer (a partir daí começei a perder a noção do tempo...), a parteira voltou e disse com uma cara e voz meiga (já não estava como antes a dizer que se calhar tinha vindo mais uma vez cedo demais!!!) que ia entrar na sala de parto e que lá ia poder levar a epidural se quisesse (ai não!!). Ela deve ter visto pelo monitor a intensidade das contrações que estavam a começar a ser muito dificilemente suportáveis!
Nem sequer me passaram para um quarto de pré-parto (à espera do bom momento), mas directamente para uma sala de parto!

A espera do nascimento

Na sala de parto, instalaram-me na cama. Tirei a roupa. A dilatação ainda era pouca. Nem sei dizer quanto. A partir dessa altura, as dores eram tantas que perdi a noção do tempo e a concentração, como já disse acima. As dores eram muito fortes durante 1 minuto quando aparecia uma contração e assim todos os 3 a 5 minutos... E as dores eram tão fortes, que entre elas, continuava a sofrer. São momentos difíceis a passar, mesmo se depois consideramos que a dor e o esforço valeram a pena.

Estive a espera um bocadinho da anestesista.
O Léo por sorte não teve os dedos partidos, mas eu agarrava-lhe bem a mão a cada contração.

A anestesista veio com uma enfermeira fazer a epidural. SÓ QUE... não funcionou. Do lado direito, continuava a sentir a dor. Deitaram-me então do lado direito, para ver se a anestesia se espalhava melhor. Passado um pedaço, como a dor continuou deram-me outra anestesia mais forte pelo tubo. Mas começei a sentir as dores novamente pela barriga toda e no fundo das costas, da esquerda à direita.
Continuava com dores horriveis.
Tiveram que fazer uma segunda epidural. E como as contrações eram cada vez mais próximas, foi complicado e longo.
Enfim não sei dizer quantas horas passei naquele estado, mas foi horrível.
Quando enfim as dores começaram a passar, pouco depois da segunda epidural, então fiquei num estado meio a dormir. Estava tão tão cansada. Nem sabia como ia conseguir ter forças para o parto.


Nascimento da Alexandra

As tantas a parteira disse que iam-me preparar para o parto. A bolsa das águas arrebentou sozinha nessa altura. O colo do útero estava dilatado a 9.
Nesse momento sentia só uma pequenina dor quando apareciam as contrações.

Ao contrário de quando nasceu a Victoria, ainda tinha algumas sensações.
Senti a passagem do bébé, mas sem dor nenhuma. Com a Victoria, não senti nada e a epidural tinha funcionado logo, mesmo se continuou a dor de um lado durante um momento.

Bastaram 3 contrações para sair a Alexandra (em cada contração devia empurrar 3 vezes). Foi muito rápido. Na segunda contração já apareceu a cabeça.
Ela chorou muito. A parteira pousou-a logo sobre mim.
E assim nasceu a Alexandra as 6h13. Foi um momento muito intenso, muito forte em emoções.



A mesma parteira !

Qual era a probabilidade de ter a mesma parteira que a primeira vez???
Quando entramos para a "consulta" nas urgências, o Léo reconheceu logo a parteira, mas sem ter a certeza absoluta. Depois ouviu uma enfermeira chamar pelo nome "Nadira".
Ela ocupou-se de nos sempre entre a hora que entrei na maternidade até nascer a Alexandra e mesmo para limpa-la e vesti-la.
Na maternidade, há cerca de 45 parteiras. É uma grande coincidência ter tido a mesma parteira para o nascimento da Victoria e da Alexandra! Ela disse que nunca lhe aconteceu igual. Vai ficar marcado para sempre! Algumas enfermeiras também foram as mesmas.

 
A parteira com a Victoria nos braços em 2010
 
Baby boom

Depois de nascer a Alexandra, a parteira ocupou-se de mim. E a seguir ficamos sozinhos muito tempo. De vez em quando passava alguem para ver se estava tudo bem. Viamos e ouviamos muito movimento. Eles levaram bastante tempo antes de limpar e vestir a Alexandra. Mas estavamos bem com a nossa pequenina mais pequenina.
As tantas perguntamos a uma enfermeira quanto tempo iamos ter que esperar antes de subir para o quarto. E ela disse então que naquela noite teve muitos partos, 5 meninas que nasceram quase ao mesmo tempo. As salas de parto estavam cheias. Tiveram que mandar para outras maternidades grávidas que se apresentaram às urgências. Houve bébés que nasceram nas salas de pré-parto, por falta de lugares.
Além disso os quartos com as mães e os recém-nascidos estavam completos. Era preciso esperar por volta das 11h da manhã, hora em que os pacientes tem alta e alguns quartos ficariam livres. Mas talvez não tenha quartos para todas as mães...
Como nos estavamos numa sala de parto, tinhamos prioridade para passar para um quarto, para poder deixar livre o lugar para outra grávida.

Visitas

Descansamos lá então um bom momento. Continuava a vir pessoal de vez em quando. A parteira veio se despedir. O Léo mostrou-lhe no telemovel a foto que tinhamos tirado com ela e o resto do pessoal quando a Victoria nasceu. Ela gostou muito de ver.
Apareceu também o médico que me seguiu durante toda a gravidez. Foi esquesito vê-lo ali, fora da consulta. E disse ao Léo "é o tal Dr Sroussi" (de quem lhe falei tantas vezes) :D

A espera no corredor

As tantas pediram-nos para deixar o quarto, que tinha uma urgência para um parto. Então instalaram-me numa cadeira de rodas confortável e puseram-nos um momento a espera no corredor. Trouxeram-me o pequeno-almoço e estive ali a almoçar no corredor. Deram uma cadeira ao Léo.
Desculpavam-se todos de ter de me por ali no corredor a espera, por falta de lugares, com o marido e a Alexandra.
Tinha outra mãe na mesma situação.
 

Nem sequer meia hora depois, um senhor veio me buscar para levar-me para um quarto. Como na maternidade, os quartos das mães estavam completos, levaram-me para outro edifício por uma passagem nos andares de cima que leva de um edifício para o outro.
Fiquei num andar, no edifício do hospital das crianças, arranjado para receber os recém-nascidos e as mães como agora tem tido sempre falta de quartos na maternidade. É uma parte nova, anexa à maternidade.  Era tudo exactamente igual ao edificio da maternidade, tinha o mesmo pessoal. Nenhuma diferença. Só que os quartos eram mais antiquados (isso não faz mal). Mas o pior é que eram bastante frios, sentia-se muito ar vir das 4 janelas. O Léo até teve que trazer um aquecedor de casa! Ainda para mais naqueles dias esteve muito frio na rua e caiu muita neve (-6°C na terça demanhã por exemplo).
Ao menos era um quarto individual. O Léo ficou sempre a dormir lá.
No primeiro dia, a Alexandra dormiu dormiu dormiu e comeu pouco.

E foi assim que correram as últimas horas como grávida e as primeiras horas da Alexandra.



Primeiras fotos da Alexandra aqui

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